RR40: o renascimento da lenda de rali da OZ Racing para a rua

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Fazia quase quatro décadas que a OZ não mexia em um dos desenhos mais emblemáticos da sua linha, mas a pressão dos entusiastas venceu: a roda OZ Racing RR40 volta ao catálogo, atualizada para as exigências de 2024 e ainda com o visual que marcou época nos grupos A, DTM e WRC. Quem pensa que se trata apenas de nostalgia vai se surpreender com o pacote técnico de fundição, alívio de massa e homologações globais.

Na prática, o relançamento coloca na mesma prateleira um design nascido em 1986 e soluções como liga AlSi7 de baixa pressão, HLT (High Light Technology) nos aros de 18 “, compatibilidade com TPMS e run-flat, além de offsets tão variados que abraçam de hot hatches compactos a cupês de tração integral turbinados.

Da Audi 80 Grupo A ao tuning de garagem: porque a RR40 virou ícone

O projeto original, batizado simplesmente de “Rally Racing”, estreou nos pits do Mundial de Rali em meados dos anos 80. Em pouco tempo, o disco de múltiplos raios fechados ganhou espaço em máquinas que viriam a se tornar cult: Audi 80 Grupo A, Toyota Celica GT-Four, Lancia Delta Integrale, Ford Sierra e Escort Cosworth, além dos BMW e Alfa Romeo do DTM. A combinação de rigidez torsional alta, face ampla que protege disco e pinça contra pedriscos e a assinatura gráfica da OZ virou referência visual – a ponto de preencher páginas de catálogos de tuning dos anos 1990.

Com a escalada de potência dos carros de rua modernos, o desenho precisou de uma revisão. A parte central da nova RR40 chega redesenhada, com canais de alívio de material que lembram “janelas” técnicas, mantendo o caráter de peça de competição, mas garantindo ventilação adicional para o sistema de freio – algo que faz diferença em track days longos, onde o calor se acumula mesmo em sistemas com pinças de quatro ou seis pistões.

Especificações: combinação ampla de aro, tala, PCD e offset

A OZ montou uma ficha técnica flexível, que contempla desde compactos europeus de cinco furos até clássicos japoneses de quatro parafusos. Veja como ficou a grade:

  • Diâmetros: 17 ” e 18 “
  • Talas: 7 “, 7,5 “, 8 ” e 9 “
  • Offsets: ET20 a ET53
  • Furações: 4 e 5 furos, PCDs múltiplos
  • Peso: variável conforme tala; versões 18 ” usam tecnologia HLT
  • Compatibilidade: sistemas TPMS, pneus run-flat e kits de freio maiores
  • Certificações: TÜV, NAD, VIA e JWL

O intervalo de ET permite equalizar flush fitment em eixos estreitos (ET53 numa plataforma MQB, por exemplo) ou dar a bitola extra pedida por swaps de freio em carros clássicos, jogando o disco para fora com ET20 sem recorrer a distanciadores largos.

Fundição controlada e liga AlSi7: menos porosidade, mais resistência

A estrutura usa alumínio AlSi7 injetado por baixa pressão, processo que a própria OZ domina há anos. Essa rota de fabricação reduz poros na matriz metálica, elevando a resistência mecânica sem exigir paredes mais grossas. Nas medidas de 18 “, entra ainda o tratamento HLT, em que o aro passa por estiramento controlado após a fundição. A etapa alonga os grãos do alumínio e permite redução de até 1 kg por roda, sem sacrificar a rigidez – ponto que pesa muito quando o assunto é massa não suspensa e aceleração de giro.

Para quem roda em asfalto ruim ou usa perfil 40, esse ganho de leveza se traduz em absorção extra de impactos e menor trabalho dos amortecedores. Já no autódromo, o bônus aparece no “punch” de retomada e na agilidade de mudanças rápidas de direção.

Duas cores, mesma assinatura gráfica clássica

A marca manteve o contraste que popularizou o modelo. São dois acabamentos:

  1. Race White com lettering vermelho – reedição direta das rodas dos Audi e Lancia de gravata no para-lama, casamento perfeito com carroceria de cor escura ou decorada com livery.
  2. Hyper Titanium com lettering prata – leitura mais sóbria, puxada para o cinza grafite, ideal para compactos premium e sedãs de rua que querem o toque histórico sem chamar tanto a atenção.

Ambas recebem calotas centrais em fibra de carbono genuína, reforçando a impressão de peça de competição. O diâmetro do copinho segue padrão OZ, o que facilita encontrar substitutos ou versões personalizadas em catálogos de acessórios paralelos.

Atenção ao torque dos prisioneiros

Como o cubo é fundido em AlSi7 e não em magnésio, o índice de expansão térmica mantém-se próximo ao da maioria dos cubos originais. Ainda assim, a própria OZ recomenda reaperto a 10 km após a instalação, seguindo torque especificado pelo fabricante do veículo (geralmente 110 Nm em carros europeus de cinco furos). A dica vale em especial para os que usam espaçadores finos para alinhamento fino de offset.

Aplicações típicas: from track to street

A RR40 cai como luva em plataformas que pedem offset médio ou baixo e aro 17 ” a 18 “, casos de:

  • VW Golf GTI/R e derivados MQB: ET50 casa com cubo original sem interferir nos sensores run-flat.
  • Subaru WRX STI até 2021: tala 8 ” em aro 18 ” alivia peso em 1,2 kg frente à roda OEM forjada, mantendo PCD 5×114,3.
  • Honda Civic Si (Geração 10): ET45 preenche melhor a caixa de roda após molas esportivas de 30 mm, sem tocar no paralamas.
  • Clássicos de quatro furos como Peugeot 205 GTI ou BMW E30: aro 17 ” tala 7,5″ evita “balão” em pneus 205/40 e garante visual period correct.

Quem planeja usar pneu sem câmara com perfil 35 ou inferior deve se atentar à linha de quinas internas do aro, pois a OZ desenhou bead seats reforçados para evitar deslocamento lateral em pressões mais baixas, recurso herdado da experiência no WRC.

O que muda no dia a dia: da balança ao volante

Uma das críticas às rodas de rally originais era o peso estático. A fundição moderna resolve parte disso, mas a OZ foi além: concentrou massa no miolo, aliviando o aro – exatamente onde o momento de inércia pesa mais. O resultado é:

  • Direção que volta ao centro mais rápido após curvar, perceptível na estrada com irregularidades recorrentes.
  • Menor vibração vertical em buracos de baixa amplitude, já que a massa não suspensa foi reduzida.
  • Travões que dissipam calor melhor, pois as “janelas” de alívio funcionam como dutos de exaustão de ar aquecido.

Em medições internas divulgadas pela fábrica, um conjunto aro 18 ” tala 8 ” pesa 9,4 kg – número que coloca a RR40 na faixa de algumas rodas forjadas de preço superior. Essa diferença de 800 g por canto pode representar até 3 m a menos na frenagem de 100 km/h a zero, dependendo do composto de pneu e do ABS.

Onde encontrar e condições de garantia

As primeiras remessas já estão nos distribuidores oficiais da marca no Brasil, com garantia de três anos contra defeito de fabricação e um ano contra descascamento da pintura, desde que a roda não seja reparada por terceiros. A OZ reforça que o uso de produtos de limpeza ácida invalida a cobertura. Para manter a integridade da face branca, a indicação é sabão neutro e escova de cerdas macias.

Em tempos de catálogos cheios de cópias genéricas, a RR40 chega como peça de coleção com usabilidade diária. Quem desejava reviver o charme dos anos 80 sem abrir mão de sensores de pressão, pneus run-flat ou bitolas generosas finalmente tem uma solução pronta de prateleira.

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Sou Caio Mendes, redator apaixonado pelo universo automotivo e pela cultura das duas e quatro rodas. No PlanetRodas, escrevo sobre carros, motos, lançamentos, tendências, manutenção e customização, trazendo informações práticas e conteúdos que ajudam o leitor a conhecer melhor o mundo automotivo.